segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Msg de fim de ano


Qual o tamanho da sua lista de coisas necessárias para que, nesta vida, você seja feliz?
Quanto maior for o número de itens, muito provavelmente, maior será o seu trabalho em conquistar aquilo tudo julgado por você como importante para experimentar o estado de felicidade.
Não se trata de uma visão simplória de conquistas e muito menos um sermão que lhe apontará os seus erros ou ganâncias. Fique tranquilo (ou tranquila)!
Não queremos aqui que você saia riscando e apagando as linhas dos seus projetos. O convite é para que reflita um pouco conosco: se para atingir a felicidade você precisa de muitas coisas, certamente, terá que investir muito mais tempo e energia para conquistar um a um dos elementos que compuseram o inventário elaborado. E até que consiga completar toda a listagem, poderá correr o risco de o cansaço ter tomado conta de você e a essa “tal felicidade” não terá sido plenamente provada.
Para colaborar com a nossa argumentação, vejamos o exemplo de um Santo Sábio indiano que, após descobrir a sua verdadeira natureza divina, nunca mais se envolveu com os desejos do mundo.
Conta-se que o Mestre tinha como seus somente três objetos: uma tira de pano para lhe cobrir a cintura, um cajado feito a partir de um pedaço de galho caído de uma árvore, que lhe servia de bengala (devido ao seu reumatismo) e uma chaleira. Tudo o mais a sua volta não era seu. Certo dia, no calor de um intenso verão, em seu passeio matinal, o Swami viu uma senhora idosa agachada no tanque de água corrente que havia perto do Templo. Ali estava ela com as mãos colocadas em forma de concha para beber água. Imediatamente, o Guru percebeu, então, que a sua chaleira também não tinha mais utilidade e a abandonou. O que Ele nunca deixou de lado foi seu franco sorriso no rosto.
Feliz 2014 para todos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Qualificação


Estes dias, facebooquiando (quando aportuguesarem a palavra eu conserto), fui lendo muitas frases de famosos que são eternizadas por replicagem. Foi então que pensei: “Não serei reconhecido por sentenças retumbantes ou por descobertas miraculosas que possa ter deixado na Terra. Oxalá haja, daqui a algum tempo, uma ou outra pessoa que por simples lembrança me ressucite dizendo meu nome (e nem precisa ser o nome completo). Aí sim, já me terá agregado valor.”

Mas, partindo, se é que se parte, levarei comigo as recordações de todas as intempéries, agruras, alegrias e sorte de fortúnio e infortúnio que fui recolhendo ao longo do caminho. Reconhecendo, principalmente, que o percurso não foi sozinho.

E não se assustem, pois aqui não se trata de um anúncio funesto e nem de uma carta de despedida. Muito pelo contrário! Talvez seja uma avaliação parcial, sabe? Daquelas que se faz no meio do caminho. Uma espécie de “qualificação acadêmica do curso da vida”, quando apresentamos uma parte da pesquisa para que os “doutores da arte” possam orientar, redirecionar e proporem inserções, consertos de rumo, e até mesmo concordância com algumas das coisas.

Quando eu parar de fazer isso, levantem as orelhas, pois estarei desistindo. Por enquanto, estou empenhado em reavaliar. É certamente um bom sinal de ainda creio que vale a pena seguir e prosseguir. Tal atitude transparece o meu entendimento de que falta aprendizado a ser cumprido e há coisas novas a serem colocadas na bagagem. Simples assim: viver como se fosse a última chance. Quem será que disse isso? Bom, seja quem for, agora fui eu.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sorrir

No centro do picadeiro, ele proporcionava a todos o esquecimento das tristezas. Era impossível permanecer sem uma gargalhada franca e aberta, sem o exercício da musculatura facial e até abdominal. Esta era a sua função: fazer rir. Nobre missão de tornar mais agradável a vida dos que o assistem e, por consequência, menos tensa. Sair dali, após vê-lo em ação, significava atenuar os dias e recarregar a fonte de baterias para seguir e enfrentar novos desafios. Sua voz, gestos, tropeços e cores abriam a porta de um mundo leve, se não real, era pelo menos o refrigério dos homens que buscam, naqueles momentos, crer na alegria.
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Pouco se lhe dava se sua profissão na boca de outros menos humanos era xingamento. Disfarçado entre os transeuntes (quando estava fora de sua tarefa), ele ouvia os tolos a pensar que ofendiam a outros homens chamando-lhes de palhaço! Coitados! Mal sabiam que para ele a palavra nada mais era do que a harmônica colocação de letras que se juntam para significar aquele que minimiza a dor.
 
Mas o que não passa pela cabeça dos que se divertem na sua presença é que por detrás da pasta branca que cobre todo o rosto, da boca exageradamente pintada e do nariz redondo e vermelho há a possibilidade de uma lágrima que pode escorrer quando no silêncio da noite ninguém o vê. O palhaço quase não se permite chorar por achar que desta forma estaria deixando de cumprir com aquilo que lhe é delegado. Porém, também (inclusive) ele pode ter seus motivos de pranto!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A hora não espera


Mais uma vez, tropeçando nas frases que me dão sobressalto, vejo-me atropelado pelo algoz dono das areias que escorrem nas âmbulas (nossa, que retórica!!!) transparentes da existência. Estava eu, facebookiando nas mensagens dos amigos quando, não mais do que de repente, deparei-me com o alerta de uma linda flor no Brasil nascida que dizia “a hora não espera”. Pronto. Empaquei!

Fazemos força para tentar freiar os ponteiros do relógio quando as coisas vividas são agradáveis e dão prazer na mesma medida em que buscamos acelerá-los se o que nos sufoca parece não ter fim, lá vamos nós!

Ô insatisfação nata! Bem não consegimos desfrutar de um e, menos ainda, suportar o outro. Tudo isso sem contar o número de vezes em que mal percebemos a diferença entre as horas fluidas e serenas e as arrastadas e movediças.

Longe, muito longe, de uma possível caracterização ou estabelecimento de traços marcantes, o tempo é ardiloso e se disfarça para deixar que nos emaranhamemos nele. E quando menos esperamos, záz... a dor de cabeça busca os motivos para justificarem o ganho ou perda de tempo.

Se repararmos direitinho, essa é a eterna luta dos homens: a todo momento arquitetam explicações para a fugacidade ou para a lerdeza da vida. Mas com uma coisa temos que concordar: a hora não espera mesmo!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Intensidades e Sopros

Por esses dias, em meio a uma conversa, ouvi uma frase que acirrou ainda mais meu sentido aturdido com relação ao que me consome: o tempo! Não que eu o ache de todo ruim. Não disse isso! Até que, em certa medida, apesar da angústia, sei que é ele me move.
Mas deixemos de volteios para que vocês não percam o tino, nem o senso e retomemos o diálogo que me provocou as tais linhas que escrevo agora.
Em meio ao que se dizia, soou retumbante a sentença: “Na minha vida, as coisas mudam de uma forma tão rápida que até tenho medo.” Foi então que, por entre a desestabilizadora ideia da fugacidade e da velocidade, correram meus pensamentos a formar a rápida rebatida sobre a natureza dos homens: “Uns são brisas, outros ventos, e há aqueles que são vendavais!”
Sem necessariamente querer categorizar, nascia, ali, de forma natural, a minha concepção das castas humanas. Não passava pela minha cabeça se naquela definição haveria mobilidade ou consequências. A única coisa que em mim gritava era a verdade iniludível de que o tempo escorre para todos. Para uns em um ritmo frenético, para outros nem tanto assim e ainda os que, à beira do caminho, só esperam refrescar.

Em qual me encaixo? Ah, não! Aí já é demais...Vamos esperar outra esquina de conversa onde eu seja provocado. Quem sabe eu conto?

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Entre planos


Muito cedo, cismaram que eu deveria (ou devia) pousar. Mas como se faz isso? Eu indagava. Que preço pagaria ao tocar meus pés no chão? Nem sabia se teria cacife para bancar tal solicitação. Até comecei a prestar atenção naqueles que, por imposição ou por atender às exigências de outrem, punham-se de volta aceitando provar o peso da lei da gravidade.
Mas, sempre fui muito reticente com as falas dos que se arvoram a dizer sobre o que é imperioso e necessário. Segui meu curso, e, em determinados momentos, dando alguns rasantes tão próximos que os desavisados chegavam a creditar que eu me renderia no cumprimento das ordens de que deveria retornar. Entretanto, sem ofender a ninguém e muito menos querer parecer rebeldia, confiava mais em meu sentido tácito de que o mais conveniente era arremeter e tornar a buscar o equilíbrio de plainar novamente confiando em minhas asas.
Até quando? Não sei. A única coisa que posso neste instante dizer é que quero permanecer daqui onde estou, sem me cobrar ou desejoso de experimentar a ótica do mundo por outro prisma. Aquele traço lá no horizonte me chama. Lá vou eu!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

“Minha pátria é minha língua”

Certamente não é só a Camões a quem devo agradecer. Tudo bem que o gajo levou para além-mar a fama da codificação da língua. Mas o encanto de poder hoje explanar o que vai em minh'alma ultrapassa a façanha do vate patrício. Resvala, sei lá onde, na fronteira de uma dissenção do velho tronco linguístico, perdido na história da minha memória, que me permite entender com clareza a diferença entre "ser" e "estar".
Pobres das ramificações daquela imemorial árvore que não conseguiram isto e enfiam no mesmo saco de gatos os dois verbos de ligação (ou de cópula, ops!!!!!!!).
Mas para mim, lusofalante de berço e metido a entendido na profissão, brota-me o alívio de discriminar um do outro. E antes que me torpedeiem crendo achar que aqui vão linhas de uma aula do vernáculo, vou, antecipando-me às apedrejadas, dizer o que me leva a divagar sobre este par de palavras:
Há os que querem porque querem estar felizes. E as condições que exigem da felicidade são as temerárias temporalidade e circunstâncias. Como tal, falíveis e findáveis vez por outra ou tantas vezes até. E alegram-se em momentos tão escorregadios que chegam a acreditar que a tal felicidade existe e não cabem em si de contentamento. Porém, como um rio que seca pelo calor das intempéries, vão do estado efusivo à desilusão solene. Estar feliz acaba por se tornar um peso. Tomo-lhe emprestado, amigo poeta – já acima citado seu nome – o vocábulo que me ajudará a compor o contraste: Falamos, então, dos que vão do “fado ao fardo” num piscar d'olhos! Ó dó!
A vida não é povoada exclusivamente dessa categoria. Existem – ainda bem – aqueles que são felizes não porque o entorno colabora (nem há mal nisso, se colaborar melhor...), mas sabemos nós que nem sempre colabora. São os que não depositam a culpa da existência nos ombros alheios e nem petrificam os instantes intensos como única condição de desfrutar da felicidade. É tarefa sua e de mais ninguém.
Não estou a dizer que é fácil escolher entre ser ou estar feliz. O que aconselho é que reflitamos sobre o que melhor nos convém ou o que mais serenidade nos traga. De minha parte o esforço é pelo estado mais permanente em detrimento da transitoriedade. Agora, ancorando mais nas estruturas dos falantes das bandas de cá do Atlântico, “cada macaco no seu galho.”

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Luz e sombra


Há os que chamam aquilo que se projeta no chão – resultado da minha interposição entre a luz e a superfície – de sombra. Eu, entretanto, surtado delírio em meus devaneios racionais, intitulo reflexo de mim. Lado menos agradável (talvez) de se ver ou de se reconhecer, mas parte integrante do que me constituí na íntegra. Não seria eu, se não houvesse ambas as partes (a agradavelmente instaurada e a escarnecida aconselhada a ser olvidada). Mas enquanto elas martelam minha mente, como esquecê-las?
Nada, a princípio, do que me conforma pode me denigrir ou envaidecer a ponto de rechaçar para o canto sombrio de um conceito arraigado e entendido como nefasto. Nada! Nada de mim poderia ser extirpado ou enaltecido pura e simplesmente devido às solicitações. Convivo com a sombra que meu corpo projeta com o objetivo precípuo de me compreender um pouco mais.
Tarefa hercúlea esse tal ensimesmamento.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sedução e receio

Algo que me aflige e, na mesma medida, me fascina é o tempo. Não é o medo daquela velha máxima da “inexorável marcha”, muito menos o arrepio de alguns que se dão conta da infalibilidade e da falência de tantas questões. Muito de longe também, não é a inevitável lei da gravidade, nem as rugas na pele. Nada disso!!!!!!! Até porque contra isso que o remédio que foi inventado?
Alimento a dicotômica sensação pela suspeita de que ele – o tempo – é mais do que os ponteiros dos relógios podem registrar em suas rotas compassadas e ritmadas.
Há certamente um segredo entre 7 chaves nas mãos do senhor dos calendários e que poucos conseguem saber. Pergunto-me: e a que preço esses raros privilegiados são cobrados? E mais ainda: como conseguem pagar?
Na barreira das limitadas visões, um mundo jaz nos domínios atemporais e tentam resgatar as nossas mais profundas lembranças, mas que por autodefesa não encontram respostas. Romper a linha tênue entre o que creio existir e o que meus parcos olhos conseguem enxergar é minha meta. Atingir-la-ei? Não sei... mas haverei de continuar tentando (ou quem sabe tentado a continuar).

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cotidiano


N'outro dia me perguntaram por que eu não escrevia sobre o cotidiano. Cá eu a pensar em uma boa sentença que satisfizesse meu interlocutor, transformei as minhas reflexões internas em palavras sonoras, como se conversa fosse:
- Falar do preço exorbitante do tomate ou do ranking que ele disputa com a cebola. Discorrer sobre os monstruosos engarrafamentos da Radial Oeste até que cheguem a Copa e as Olimpíadas que nos livrarão das tensões geradas no volante e, talvez, venham a nos redimir dos xingamentos pensados e ditos entre dentes no tempo desperdiçado no mar de veículos que ferviam. Tecer elucubrações sobre se o atentado na maratona teria sido muçulmano ou vietnamita. Juntar-me às vozes dos que criticam a corrupção dos Poderes instituídos pelo próprio voto, enquanto povo. Revelar a tensão das mudanças contemporâneas que nos expõem, inclusive, quando estamos dentro de casa. Ou ainda dizer que os realitys shows são perda de tempo, mas no silêncio da porta fechada, o controle remoto - “sem querer” - parou naquele canal.
E depois de toda esta enxurrada de dia a dia, parei... respirei e sentenciei: Deixe que a vida por si só se encarregue de comentar o que os olhos, ouvidos e bocas já se arvoram na tarefa de anunciar. Que eu cumpra a parte do descanso (tempo-hiato das angústias que percebemos). Deixe que comigo permaneça a manutenção da ilusão de que vale a PENA, gastar tintas de minha PENA não com as PENAS da dor. Muito mais sentido terá usá-la como PENAS das asas altaneiras do meu delírio libertador.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Questão de tempo


Fosse eu dar crédito ao que me definem como tempo, estaria morto. Estaria mais atolado na perseguição dos ponteiros do relógio. Mais ainda do que já ando!
O que configura um calendário não pode ser os dias que transcorrem e, muito menos, a sucessão dos fatos numa linha – imaginária – temporal. Estivesse restrito a isso, eu sucumbiria mais rápido do que os anos que já vivi.
Recuso-me a me aferrar a esse grilhão. Não estou propondo romper as barreiras convencionadas pela espécie dos meus pares, ou seja, a humanidade. Porém, verdade seja dita, tempo é uma invenção do bicho-homem.
Se entender o que vim fazer neste mundo levar uma década, um século ou até mesmo um mísero segundo, o importante não terá sido o tempo que “gastei” para chegar à conclusão, mas sim a qualidade do resultado daquilo que encontrei.
Afoguem-se na angústia, senhores, pois afinal de contas, todos nós, em medidas diferentes, mergulhamos nela. Tudo dependerá da profundidade que se quer e que se poder ir. Sem escafandro ou com as aparelhagens as mais modernas, o que conta é o risco da submersão.
Isto é o tempo! A capacidade de reserva de ar que se tem para o mergulho... na vida.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

tempo de uso e tempo usado

A questão não é 'há quanto tempo” e sim “o quanto do tempo”. Pois bem, e antes mesmo que me acusem de complicado ou complexo (na verdade são coisas diferentes), vou logo explicando: O que me afoba e me angustia não é o tempo que já transcorreu, não significa nem mesmo, na contagem, o rastro longo ou curto deixado como sinais de velhice. O que me sufoca é a busca da melhor forma de aproveitar o tempo de que disponho!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Libertas inaestimabilis res est


Se, um dia, às minhas palavras lhe impuserem deixar de ser sugestão. Se, no futuro, colocarem-nas contra a parede da razão. Afirmo de antemão: Deixarei que a pena descanse em paz, pois que outra serventia teria para mim se cerceassem a condição de toda coisa existente ser criada e deixá-la no entre-claros dos meus anseios?
Não se trata da apologia do insondável e muito menos a valorização do mistério implacável. O pleito reside na necessidade vital de manter a possibilidade dos diversos diálogos entre mim e todos os demais. Não há uma, nem duas. Quero-as todas as chances de recriação.
Imagine, atarefado companheiro, se me obrigassem a dizer no viés da compreensão alheia tudo o que em mim salteia? Criar-se-iam dilemas retumbantes entre o que penso ser para o outro a visão e o que entendo eu de mundo. Olha o frejo formado!
Em poucas e sorrateiras palavras, digo não aos que exigem de mim clareza, pois resta a questão: Claro para quem, meu irmão?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Complexamente simples

Quando a felicidade lhe surpreender sem que você entenda os motivos, não busque as causas para não afugentar a espontaneidade e a liberdade de “ser por ser”. Quando a dor ou a tristeza lhe visitarem sem aparente explicação, não tente entendê-las e não especule sobre nada para que elas se esvaiam e desapareçam da mesma forma como vieram ou surgiram. Quando o tempo lhe sufocar, não se cobre cumpri-lo mais do que é humanamente possível ser feito, porque é entre as paredes do limite do tempo que é feita a vida. Quando o vazio das ações parecer preencher o seu dia, não coloque no suposto espaço oco o que quer que seja, pois mais a frente você poderá notar que aquele lugar estava sendo reservado para algo mais importante.
Em suma, não são as elucubrações que resolvem nossos incômodos, até porque muitos deles são sensações desconhecidas que nos colocam na exigência das explicações.
E quem foi que disse que para tudo devemos ter lógica, causas ou consequências visíveis? Viver é tarefa tão simples que se torna complexo demais aceitar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Hoje

Você talvez não saiba exatamente o que é Kali Yuga. Pode até desconhecer quantos anos cabem nessa contagem de tempo que mede as Eras do calendário hindu. Mas, certamente você reconhece os tempos difíceis e complicados que estamos vivendo. De quantas pessoas você já ouviu a frase “Nossa! Este ano a coisa 'tá' braba!”?
Mas saiba que isto não é uma exclusividade sua e nem o único acontecimento na humanidade. Conseguiríamos imaginar um homem do medievo tecendo outro comentário que não fosse esse? E quando estouraram as Guerras? A afirmativa foi outra?
Em poucas palavras, a dificuldade de viver está no simples fato de estar vivendo. Pode parecer uma assertiva tola, mas absolutamente verdadeira.
Tal reflexão não tira o entendimento de que este ano 'tá' brabo mesmo!
Anunciado há algum tempo por diversas religiões e “revelações” extrassensoriais, o mundo passa por grave crise de caráter que esbarra em questões sociais mais amplas. Aquilo que nossos irmãos orientais chamam de “karma coletivo” e que vimos representar metafórica ou simbolicamente nas cenas do dilúvio, em Sodoma e Gomorra, na Batalha dos Pandavas, e tantas outras histórias contadas de geração em geração.
O fato é que a tensão está no ar. Somos desfiados constantemente e exigem de nós (quem exige?) um jogo de cintura que se renova todas as vezes em que resolvemos alguma pendência. Quando o ar que exalamos de “Ufa, venci” acaba, parece que imediatamente a respiração seguinte simboliza “caraca, de novo, lá vou eu!!!!!!”
Nossa!!!! Quantas cabeças estão balançando agora concordando com meus cometários! Pelo menos não estou tão estratosférico assim nos meus devaneios. Estou?
A pergunta que se segue à concordância das observações deve estar sendo: “E aí? O que fazer?” Desculpem a “tortez” da resposta, mas é um simples viver. E durmamos sem um barulho desses!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rabiscos e rascunhos

Há momentos em que confundo rabiscos com rascunhos, mas um outro tantão de vezes o que faço é intencional mesmo e não estou iludido entre o que deliro e o que me faz tremer. Coisas diferentes são essas sensações. Tão díspares que, ao menor sinal de interseção, eu paro e espero que as pretensas confusões se amainem. Elas, por si só, seguem seus rumos.

Os ensaios minimizam os meus riscos, mas não conseguem me proteger na totalidade, pois não há como contar com o inesperado que, do nada, surge. 

Entretanto, em determinadas situações, o que faço, na verdade, é permitir o exercício do inconsciente para transferir para o alvo as questões insondáveis da alma. Nem são abismais, e muito menos rasteiras, as minhas divagações. Elas não entram no escopo da profundidade. Eu não as julgo por isso. Coloco-as na avaliação, sim, quando devem atender as minhas necessidades mais prementes. Se de forma rápida, alongada, funda ou rasa, não me importa, desde que cumpram com os seus papéis de seladoras dos vácuos que em mim percebo.

Do que falo? Aff! O que estou tentando dizer (será que consigo?) é que no transcurso das horas eu busco estar vivo!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Parto



Grávido do mundo, a espera de um parto mais amplo em direção ao ilimitado momento de renascer. Pobre dos encarcerados na visão pequena de que não há nada mais além do que os olhos podem ver. Mesmo assim, seguem eles, a trancos e barrancos, a jornada. A diferença está entre sofrer os dias da incerteza ou se manter convicto de que haverá mais luz do que o breu do pessimismo. Opto pela segunda chance e disto não abro mão.
Existirão seguidores? Oxalá que sim! Entretanto, ainda que não veja no rastro do caminho outras pegadas, não me limitarei nas amarras do tempo e me prepararei para a hora da explosão de vida!
São tantas as oportunidades que os homens vendados não conseguem captar. Nem por isso elas deixam de estar à disposição de todos. Basta lançar para o alto a mão da vontade e capturar o seu quinhão.
Talvez alguns estejam se perguntando: “Mas que delírio!” e eu responderei: “De que mais se faz a existência se não houver espaço para transbordar a linearidade dos acontecimentos? Louco sim, da sanidade de viver”
Se isto não fosse, não estaria grávido do mundo a ponto de parir a bela vivência de mim mesmo na felicidade de estar aqui. O tempo que não passa é o presente que não se esgota. O inexorável ponteiro que aflige é o passado que arrasta as dores e a ilusão do aprisionamento do espaço é o futuro assustador dos que nem para trás e muito menos no agora se permitem ser. Não é o meu caso!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Declaração


Amo as palavras! E o prazer que elas me proporcionam vem da íntima relação que estabelecemos desde os meus primeiros balbucios, onde vi nascerem as significações que aproximaram as pessoas. Representações incompreensíveis para a grande maioria, mas que ganhavam corpo dentro do seio familiar. Aí teve início essa história de amor.
Adoro-as devido à mágica que delas emerge quando se juntam, separam-se e tornam a se amalgamar numa incontável possibilidade de descreverem a vida. Rompem as barreiras do tempo e esfacelam o espaço, ocupam lugares e retorcem ponteiros.
Admiro-as pelo valor que dão aos tons do mundo. Contam e recontam as histórias, mudam os rumos, perdoam as derrotas. São a vitória dos que dela fazem bom uso e o algoz dos tropeçantes usuários.
Como disse o poeta – e em minhas mal-traçadas interpretações, reinvento: as palavras ou dão vida, ou podem matar.
Mergulho entre as encantadoras vozes que me levam a “mares nunca d'antes navegados” num bailado entre o profundo e o superficial que jamais me afoga. Roçamos nossos corpos, vivemos nossas emoções, sangramos nossas dores e rimos das tolices mais banais. Amo as palavras que conheci e já quero as que nunca vi. Sem conhecer divórcio entre nós, será eterno pois, ainda que chama, jamais se extinguirá.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Da série "Pelas ruas" - epílogo inconcluso

Pelo campo aberto das censuras internas, ia o andarilho (eu mesmo quantas vezes desconhecido de mim mesmo) a me perguntar: Se não me re-invento, quem, por Deus, nessa Terra engolfada pela falta de tempo entre os homens poderá fazê-lo por mim? Nem “Chapolin Colorado” conseguiria tal façanha.
Esforço-me, ainda que por vezes em vão. Outras tantas, amigos e irmãos, poucos prestam atenção. Culpa deles? Não! Certamente porque minha lente deve ficar embaçada e, na pressa, acabo por não reorientá-la na tarefa de limpar a imagem. Perco, logo pois, a oportunidade de que eles percebam meu empenho em dar nova roupagem às atitudes pétreas.
Então, por que, raios, fico cá eu a lhes exigir que me compreendam? Sinto muito... perdoem-me!
Nem pretendo a promessa da melhora. Até porque, se não consigo cumprir com o me refazer, como poderia assumir o compromisso público de demostração clara e efetiva das minhas adaptações e adequações ao tempo presente? Seria criar expectativas naqueles que me circundam e não seria justo.
Enquanto isso, vou levando, vivendo, revivendo, torcendo para entender e acertar. Com destino, mas sem uma obstinação que beira (ou roça) quase a cegueira dos infames e presunçosos.
O que esperar de mim? Bom... quem sabe você me encontra por ali, lá ou acolá, eu mesmo a me buscar, menos angustiado pelo causticante calor das areias que enchem a minha ampulheta. Boa sorte para você. Boa sorte para todos nós!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia N


Certa vez ouvi de alguém que gosto muito que “hoje é dia de nada”. Crendo que é o melhor que podemos fazer, hoje sendo dia de nada me sinto desobrigado a convenções e cumprimento de normas socialmente impostas. Deparo-me livre para poder deixar que o dia transcorra sem a pressão das horas, sem o engolfamento do tempo, sem o sufoco da correria dos atalhos.
Isto posto, hoje é dia de me dedicar a mim e revisitar minhas próprias entranhas. Não será a oportunidade de dizer ou explicar, justificar ou argumentar. Definitivamente hoje não darei voltas na minha cabeça buscando palavras para não ofender, ideias para convencer e não amarrarei a cara na contrariedade do que possam querem me exigir. Não desistirei pesarosamente dos compromissos e muito menos abdicarei de qualquer convite (dos mais prazerosos aos mais enfadonhos), até porque hoje não os terei.
Hoje é dia de nada. Não me culparei por nada fazer, afinal de contas, não estou dizendo que hoje é dia de fazer nada. Digo sim que hoje é dia de nada. Nada do que cotidianamente me assola, me oprime ou me deixa tonto por “ter que”. Se essa sensação se chama liberdade eu não sei, mas que me soa como desanuviação e me proporciona um dia de tranquilidade, lá isso é verdade.