quarta-feira, 17 de setembro de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
24 de junho
A beleza do sincretismo
brasileiro possibilita ao homem rever e reavaliar suas atitudes
diante da vida. Hoje, em mais uma oportunidade em que se comemora
também a força da Justiça, na figura de um personagem bíblico
como João Batista (e que os irmãos da umbanda dedicam a Xangô),
ouvimos a seguinte mensagem, que independente de credo, faz-nos
refletir:
Quando a dor da maldade
alheia lhe atingir, antes de desejar vingar-se e alimentar esse
sentimento que cega e desgasta, peça ao Criador somente que a
Justiça se faça.
A vingança envolve
pactos e com isso, mais cedo ou mais tarde, há cobranças. É um
preço que se paga.
A Justiça, por sua vez,
dota o homem do exercício da paciência e pela lei da ação e
reação presenteia àquele que confia no tempo.
Quando se clama a
justiça, esse apelo ecoa nos céus da existência e nada detém a
marcha dessa resolução.
Sábio é aquele que se
afasta do desejo da vingança e busca se aproximar da justiça.
Diante do justo não há argumentos, só há vitórias.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
O amor existe?
Ouvindo
o questionamento de uma voz tronante angustiada sobre a existência
ou não do amor verdadeiro, imediatamente, vasculhei em mim não uma
resposta que atenuasse a dúvida do interlocutor, mas algo que desse
a mim mesmo a segurança da compreensão.
Não
seria fácil (e nem simples) dizer sim ou não. Não se trata disto!
A interrogação é mais abrangente e não se esgota em si. Mas, a
bem da verdade, pululava em minha mente a sensação de querer
responder afirmativamente.
Rendo-me
ao que em mim grita: SIM! Existe o amor verdadeiro.
Se
eu desse mais tratos ao diálogo, a contrarresposta (em forma de
outra pergunta) deveria ser mais ou menos assim: “Mas como saber?”
Novamente,
no novelo dos meus botões, pus-me a pensar:
Alguns
homens nutrem, ao longo da vida, a aspiração de conquistar um amor
ideal. Platonicamente falando sobre ideal, tudo é possível nesse
calderão. As imagens alimentas são as mais perfeitas possíveis
dentro de um conceito de perfeição intransferível e incomparável.
Meu ideal não é, necessariamente, o ideal do outro. Mas como disse,
a busca é para atender os anseios pessoais.
Enfim,
retomando o discurso para que não me acusem de prolixo, alguns
rascunham a figura ideal sem consultar a humanidade e sem comparar
com os pretendentes.
Esses
seres humanos esbarram, vez por outra, com um, com outro, vivem e
vivenciam histórias, emoções e prazeres, sem se esquecerem daquilo
que muito tempo atrás construíram com o alvo a conquistar.
Entretanto,
nas minhas parciais conclusões, vejo que o ideal e o real não
precisam ser coincidente para que existam e tenham seu valor.
Depois
de tantas voltas na minha cabeça, sentenciei, em uma mensagem via
celular: Sim, o amor verdadeiro existe. Ele pode não ser o mesmo do
amor idealizado, mas que ele é possível, lá isso ele é. Basta ter
olhos de ver e ouvidos de ouvir.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Muitas palavras, muito silêncio
Saltavam,
a rodo, as palavras produzidas pelo percurso do fluxo de ar que fora
expulso pelo diafragma e fizeram, neste movimento, vibrar as cordas
vocais. Foi daí que me dei conta que quanto maior o número de
coisas que eu digo, num atropelo de frases, sem respirar, faz com que
as pessoas não perturbem o meu silêncio.
Receita
aparentemente complexa, mas de uma linearidade ímpar: quanto mais eu
falo, menos me perturbam na tranquilidade de mim mesmo e posso
desfrutar do estado de paz, pois, afinal, o mundo quer ruído,
enfrentamentos e conquistas.
Deixai
(digo aos meus eus) que outros tantos continuem como bem entendem e
buscai a harmonia de vossos encontros no mesmo ponto de ser muitos e
um só ao mesmo tempo. E que me acusem de devaneio ou fora-do-prumo.
Que mais dá? Arrefecem as dores neste consolo de descobertas das
possibilidades e escolhas das melhores práticas. P'rá quem? P'rá
mim, oras!
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Sonho ou delírio?
Há alguns dias, ouvi uma
sentença que tem martelado a minha cabeça: “a diferença conceitual entre sonho
e delírio pode ser tênue, mas os resultados podem ser avassaladores”.
Dando tratos à bola, levei
meus pensamentos a este binômio e eis que aqui estou.
E como se não fosse
suficiente ser atropelado pela frase inquietante sobre o que os difere, fui
além para investigar e concluir que quem sonha constrói, quem delira pode se
perder. O que mais afasta um termo do
outro é o tempo que se investe em cada um. No sonho, o tempo tem tempo para ser
sonho. É contado e é o suficiente para transformar um projeto em realização. No
delírio, o que se diz ser tempo é a permanência infindável da inoperância para
que não se saia do mundo das ideias.
Aquele que sonha, vê; o que
delira, torna-se cego! Sonho é “caminho para”, delírio é “finitude em si
mesmo”. O sonhador alimenta o ideal e avança, o delirante consome o constructo
antes mesmo de torná-lo palpável. Um se regozija ao olhar a obra viva, o outro
se martiriza para nem dar a chance de vir a tona o que pensa.
Ambos, muitas vezes, surgem
no mesmo plano de sensações e vontades, porém, o que os faz serem diferentes,
mais adiante, é o homem no qual eles nascem: há os que querem mudar o estado
onírico – esses são os sonhadores –, como também existem também aqueles que desconhecem
outra possibilidade de ser e estancam a caminhada.
O tolo não é transformador,
enquanto o sábio está sempre buscando abrir espaço para mais e mais sonhar.
Quem sonha tem tempo de ser feliz, quem delira se afunda na tristeza
inexplicável da existência e ainda a culpa pelo infortúnio. Mas se não são
estados voluntários da consciência, que sejam, ao menos, alvo de reflexões.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Msg de fim de ano
Qual o tamanho da sua
lista de coisas necessárias para que, nesta vida, você seja feliz?
Quanto maior for o número
de itens, muito provavelmente, maior será o seu trabalho em
conquistar aquilo tudo julgado por você como importante para
experimentar o estado de felicidade.
Não se trata de uma
visão simplória de conquistas e muito menos um sermão que lhe
apontará os seus erros ou ganâncias. Fique tranquilo (ou
tranquila)!
Não queremos aqui que
você saia riscando e apagando as linhas dos seus projetos. O convite é para
que reflita um pouco conosco: se para atingir a felicidade você
precisa de muitas coisas, certamente, terá que investir muito mais
tempo e energia para conquistar um a um dos elementos que compuseram
o inventário elaborado. E até que consiga completar toda a
listagem, poderá correr o risco de o cansaço ter tomado conta de
você e a essa “tal felicidade” não terá sido plenamente
provada.
Para colaborar com a
nossa argumentação, vejamos o exemplo de um Santo Sábio indiano
que, após descobrir a sua verdadeira natureza divina, nunca mais se
envolveu com os desejos do mundo.
Conta-se que o Mestre
tinha como seus somente três objetos: uma tira de pano para lhe
cobrir a cintura, um cajado feito a partir de um pedaço de galho
caído de uma árvore, que lhe servia de bengala (devido ao seu
reumatismo) e uma chaleira. Tudo o mais a sua volta não era seu.
Certo dia, no calor de um intenso verão, em seu passeio matinal, o
Swami
viu uma senhora idosa agachada no tanque de água corrente que havia
perto do Templo. Ali estava ela com as mãos colocadas em forma de
concha para beber água. Imediatamente, o Guru percebeu, então, que
a sua chaleira também não tinha mais utilidade e a abandonou. O que Ele nunca deixou de lado foi seu franco sorriso no rosto.
Feliz 2014 para todos.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Qualificação
Estes
dias, facebooquiando (quando aportuguesarem a palavra eu conserto),
fui lendo muitas frases de famosos que são eternizadas por
replicagem. Foi então que pensei: “Não serei reconhecido por
sentenças retumbantes ou por descobertas miraculosas que possa ter
deixado na Terra. Oxalá haja, daqui a
algum tempo, uma ou outra pessoa que por simples lembrança me
ressucite dizendo meu nome (e nem precisa ser o nome completo). Aí
sim, já me terá agregado valor.”
Mas,
partindo, se é que se parte, levarei comigo as recordações de
todas as intempéries, agruras, alegrias e sorte de fortúnio e
infortúnio que fui recolhendo ao longo do caminho. Reconhecendo,
principalmente, que o percurso não foi sozinho.
E
não se assustem, pois aqui não se trata de um anúncio funesto e
nem de uma carta de despedida. Muito pelo contrário! Talvez seja uma
avaliação parcial, sabe? Daquelas que se faz no meio do caminho.
Uma espécie de “qualificação acadêmica do curso da vida”,
quando apresentamos uma parte da pesquisa para que os “doutores da
arte” possam orientar, redirecionar e proporem inserções,
consertos de rumo, e até mesmo concordância com algumas das coisas.
Quando
eu parar de fazer isso, levantem as orelhas, pois estarei desistindo.
Por enquanto, estou empenhado em reavaliar. É certamente um bom
sinal de ainda creio que vale a pena seguir e prosseguir. Tal atitude
transparece o meu entendimento de que falta aprendizado a ser
cumprido e há coisas novas a serem colocadas na bagagem. Simples
assim: viver como se fosse a última chance. Quem será que disse
isso? Bom, seja quem for, agora fui eu.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Sorrir
No centro do picadeiro, ele
proporcionava a todos o esquecimento das tristezas. Era impossível permanecer
sem uma gargalhada franca e aberta, sem o exercício da musculatura facial e até
abdominal. Esta era a sua função: fazer rir. Nobre missão de tornar mais agradável a vida dos
que o assistem e, por consequência, menos tensa. Sair dali, após vê-lo em ação,
significava atenuar os dias e recarregar a fonte de baterias para seguir e
enfrentar novos desafios. Sua voz, gestos, tropeços e cores abriam a porta de
um mundo leve, se não real, era pelo menos o refrigério dos homens que buscam,
naqueles momentos, crer na alegria.
.
Pouco se lhe dava se sua
profissão na boca de outros menos humanos era xingamento. Disfarçado entre os transeuntes
(quando estava fora de sua tarefa), ele ouvia os tolos a pensar que ofendiam a
outros homens chamando-lhes de palhaço! Coitados! Mal sabiam que para ele a
palavra nada mais era do que a harmônica colocação de letras que se juntam para
significar aquele que minimiza a dor.
Mas o que não passa pela cabeça
dos que se divertem na sua presença é que por detrás da pasta branca que cobre
todo o rosto, da boca exageradamente pintada e do nariz redondo e vermelho há a
possibilidade de uma lágrima que pode escorrer quando no silêncio da noite
ninguém o vê. O palhaço quase não se permite chorar por achar que desta forma
estaria deixando de cumprir com aquilo que lhe é delegado. Porém,
também (inclusive) ele pode ter seus motivos de pranto!
terça-feira, 12 de novembro de 2013
A hora não espera
Mais
uma vez, tropeçando nas frases que me dão sobressalto, vejo-me
atropelado pelo algoz dono das areias que escorrem nas âmbulas
(nossa, que retórica!!!) transparentes da existência. Estava eu,
facebookiando nas mensagens dos amigos quando, não mais do que de
repente, deparei-me com o alerta de uma linda flor no Brasil nascida
que dizia “a hora não espera”. Pronto. Empaquei!
Fazemos
força para tentar freiar os ponteiros do relógio quando as coisas
vividas são agradáveis e dão prazer na mesma medida em que
buscamos acelerá-los se o que nos sufoca parece não ter fim, lá
vamos nós!
Ô
insatisfação nata! Bem não consegimos desfrutar de um e, menos
ainda, suportar o outro. Tudo isso sem contar o número de vezes em
que mal percebemos a diferença entre as horas fluidas e serenas e as
arrastadas e movediças.
Longe,
muito longe, de uma possível caracterização ou estabelecimento de
traços marcantes, o tempo é ardiloso e se disfarça para deixar que
nos emaranhamemos nele. E quando menos esperamos, záz... a dor de
cabeça busca os motivos para justificarem o ganho ou perda de tempo.
Se
repararmos direitinho, essa é a eterna luta dos homens: a todo
momento arquitetam explicações para a fugacidade ou para a lerdeza
da vida. Mas com uma coisa temos que concordar: a hora não espera mesmo!
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Intensidades e Sopros
Por esses dias, em meio a uma
conversa, ouvi uma frase que acirrou ainda mais meu sentido aturdido com
relação ao que me consome: o tempo! Não que eu o ache de todo ruim. Não disse isso!
Até que, em certa medida, apesar da angústia, sei que é ele me move.
Mas deixemos de volteios para que
vocês não percam o tino, nem o senso e retomemos o diálogo que me provocou as
tais linhas que escrevo agora.
Em meio ao que se dizia, soou
retumbante a sentença: “Na minha vida, as coisas mudam de uma forma tão rápida
que até tenho medo.” Foi então que, por entre a desestabilizadora ideia da fugacidade
e da velocidade, correram meus pensamentos a formar a rápida rebatida sobre a
natureza dos homens: “Uns são brisas, outros ventos, e há aqueles que são
vendavais!”
Sem necessariamente querer
categorizar, nascia, ali, de forma natural, a minha concepção das castas
humanas. Não passava pela minha cabeça se naquela definição haveria mobilidade
ou consequências. A única coisa que em mim gritava era a verdade iniludível de
que o tempo escorre para todos. Para uns em um ritmo frenético, para outros nem
tanto assim e ainda os que, à beira do caminho, só esperam refrescar.
Em qual me encaixo? Ah, não! Aí
já é demais...Vamos esperar outra esquina de conversa onde eu seja provocado.
Quem sabe eu conto?
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Entre planos
Muito
cedo, cismaram que eu deveria (ou devia) pousar. Mas como se faz
isso? Eu indagava. Que preço pagaria ao tocar meus pés no chão?
Nem sabia se teria cacife para bancar tal solicitação. Até comecei
a prestar atenção naqueles que, por imposição ou por atender às
exigências de outrem, punham-se de volta aceitando provar o peso da
lei da gravidade.
Mas,
sempre fui muito reticente com as falas dos que se arvoram a dizer
sobre o que é imperioso e necessário. Segui meu curso, e, em
determinados momentos, dando alguns rasantes tão próximos que os
desavisados chegavam a creditar que eu me renderia no cumprimento das
ordens de que deveria retornar. Entretanto, sem ofender a ninguém e
muito menos querer parecer rebeldia, confiava mais em meu sentido
tácito de que o mais conveniente era arremeter e tornar a buscar o
equilíbrio de plainar novamente confiando em minhas asas.
Até
quando? Não sei. A única coisa que posso neste instante dizer é
que quero permanecer daqui onde estou, sem me cobrar ou desejoso de
experimentar a ótica do mundo por outro prisma. Aquele traço lá no
horizonte me chama. Lá vou eu!
quarta-feira, 22 de maio de 2013
“Minha pátria é minha língua”
Certamente não é só a Camões a quem devo agradecer. Tudo bem que
o gajo levou para além-mar a fama da codificação da língua. Mas o
encanto de poder hoje explanar o que vai em minh'alma ultrapassa a
façanha do vate patrício. Resvala, sei lá onde, na fronteira de
uma dissenção do velho tronco linguístico, perdido na história da
minha memória, que me permite entender com clareza a diferença
entre "ser" e "estar".
Pobres das ramificações daquela imemorial árvore que não
conseguiram isto e enfiam no mesmo saco de gatos os dois verbos de
ligação (ou de cópula, ops!!!!!!!).
Mas para mim, lusofalante de berço e metido a entendido na
profissão, brota-me o alívio de discriminar um do outro. E antes
que me torpedeiem crendo achar que aqui vão linhas de uma aula do
vernáculo, vou, antecipando-me às apedrejadas, dizer o que me leva a divagar sobre este par de palavras:
Há os que querem porque querem estar felizes. E as condições que
exigem da felicidade são as temerárias temporalidade e
circunstâncias. Como tal, falíveis e findáveis vez por outra ou
tantas vezes até. E alegram-se em momentos tão escorregadios que
chegam a acreditar que a tal felicidade existe e não cabem em si de
contentamento. Porém, como um rio que seca pelo calor das
intempéries, vão do estado efusivo à desilusão solene. Estar
feliz acaba por se tornar um peso. Tomo-lhe emprestado, amigo poeta –
já acima citado seu nome – o vocábulo que me ajudará a compor o
contraste: Falamos, então, dos que vão do “fado ao fardo” num
piscar d'olhos! Ó dó!
A vida não é povoada exclusivamente dessa categoria. Existem –
ainda bem – aqueles que são felizes não porque o entorno colabora
(nem há mal nisso, se colaborar melhor...), mas sabemos nós que nem
sempre colabora. São os que não depositam a culpa da existência
nos ombros alheios e nem petrificam os instantes intensos como única
condição de desfrutar da felicidade. É tarefa sua e de mais
ninguém.
Não estou a dizer que é fácil escolher entre ser ou estar feliz. O
que aconselho é que reflitamos sobre o que melhor nos convém ou o
que mais serenidade nos traga. De minha parte o esforço é pelo
estado mais permanente em detrimento da transitoriedade. Agora,
ancorando mais nas estruturas dos falantes das bandas de cá do
Atlântico, “cada macaco no seu galho.”
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Luz e sombra
Há os
que chamam aquilo que se projeta no chão – resultado da minha
interposição entre a luz e a superfície – de sombra. Eu,
entretanto, surtado delírio em meus devaneios racionais, intitulo
reflexo de mim. Lado menos agradável (talvez) de se ver ou de se
reconhecer, mas parte integrante do que me constituí na íntegra.
Não seria eu, se não houvesse ambas as partes (a agradavelmente
instaurada e a escarnecida aconselhada a ser olvidada). Mas enquanto
elas martelam minha mente, como esquecê-las?
Nada, a
princípio, do que me conforma pode me denigrir ou envaidecer a ponto
de rechaçar para o canto sombrio de um conceito arraigado e entendido
como nefasto. Nada! Nada de mim poderia ser extirpado ou enaltecido
pura e simplesmente devido às solicitações. Convivo com a sombra
que meu corpo projeta com o objetivo precípuo de me compreender um
pouco mais.
Tarefa
hercúlea esse tal ensimesmamento.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Sedução e receio
Algo que me aflige e, na mesma medida,
me fascina é o tempo. Não é o medo daquela velha máxima da
“inexorável marcha”, muito menos o arrepio de alguns que se dão
conta da infalibilidade e da falência de tantas questões. Muito de
longe também, não é a inevitável lei da gravidade, nem as rugas
na pele. Nada disso!!!!!!! Até porque contra isso que o remédio que
foi inventado?
Alimento a dicotômica sensação pela
suspeita de que ele – o tempo – é mais do que os ponteiros dos
relógios podem registrar em suas rotas compassadas e ritmadas.
Há certamente um segredo entre 7
chaves nas mãos do senhor dos calendários e que poucos conseguem
saber. Pergunto-me: e a que preço esses raros privilegiados são
cobrados? E mais ainda: como conseguem pagar?
Na barreira das limitadas visões, um
mundo jaz nos domínios atemporais e tentam resgatar as nossas mais
profundas lembranças, mas que por autodefesa não encontram
respostas. Romper a linha tênue entre o que creio existir e o que
meus parcos olhos conseguem enxergar é minha meta. Atingir-la-ei? Não
sei... mas haverei de continuar tentando (ou quem sabe tentado a
continuar).
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Cotidiano
N'outro
dia me perguntaram por que eu não escrevia sobre o cotidiano. Cá eu
a pensar em uma boa sentença que satisfizesse meu interlocutor,
transformei as minhas reflexões internas em palavras sonoras, como
se conversa fosse:
- Falar
do preço exorbitante do tomate ou do ranking que ele disputa
com a cebola. Discorrer sobre os monstruosos engarrafamentos da
Radial Oeste até que cheguem a Copa e as Olimpíadas que nos
livrarão das tensões geradas no volante e, talvez, venham a nos
redimir dos xingamentos pensados e ditos entre dentes no tempo
desperdiçado no mar de veículos que ferviam. Tecer elucubrações
sobre se o atentado na maratona teria sido muçulmano ou vietnamita.
Juntar-me às vozes dos que criticam a corrupção dos Poderes
instituídos pelo próprio voto, enquanto povo. Revelar a tensão das
mudanças contemporâneas que nos expõem, inclusive, quando estamos
dentro de casa. Ou ainda dizer que os realitys shows são
perda de tempo, mas no silêncio da porta fechada, o controle remoto
- “sem querer” - parou naquele canal.
E depois
de toda esta enxurrada de dia a dia, parei... respirei e sentenciei:
Deixe que a vida por si só se encarregue de comentar o que os olhos,
ouvidos e bocas já se arvoram na tarefa de anunciar. Que eu cumpra a
parte do descanso (tempo-hiato das angústias que percebemos). Deixe
que comigo permaneça a manutenção da ilusão de que vale a PENA,
gastar tintas de minha PENA não com as PENAS da dor. Muito mais
sentido terá usá-la como PENAS das asas altaneiras do meu delírio
libertador.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Questão de tempo
Fosse eu
dar crédito ao que me definem como tempo, estaria morto. Estaria
mais atolado na perseguição dos ponteiros do relógio. Mais ainda
do que já ando!
O que
configura um calendário não pode ser os dias que transcorrem e,
muito menos, a sucessão dos fatos numa linha – imaginária –
temporal. Estivesse restrito a isso, eu sucumbiria mais rápido do
que os anos que já vivi.
Recuso-me
a me aferrar a esse grilhão. Não estou propondo romper as barreiras
convencionadas pela espécie dos meus pares, ou seja, a humanidade.
Porém, verdade seja dita, tempo é uma invenção do bicho-homem.
Se
entender o que vim fazer neste mundo levar uma década, um século ou
até mesmo um mísero segundo, o importante não terá sido o tempo
que “gastei” para chegar à conclusão, mas sim a qualidade do
resultado daquilo que encontrei.
Afoguem-se
na angústia, senhores, pois afinal de contas, todos nós, em medidas
diferentes, mergulhamos nela. Tudo dependerá da profundidade que se
quer e que se poder ir. Sem escafandro ou com as aparelhagens as
mais modernas, o que conta é o risco da submersão.
Isto é o
tempo! A capacidade de reserva de ar que se tem para o mergulho... na
vida.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
tempo de uso e tempo usado
A
questão não é 'há quanto tempo” e sim “o quanto do tempo”.
Pois bem, e antes mesmo que me acusem de complicado ou complexo (na
verdade são coisas diferentes), vou logo explicando: O que me afoba
e me angustia não é o tempo que já transcorreu, não significa nem
mesmo, na contagem, o rastro longo ou curto deixado como sinais de
velhice. O que me sufoca é a busca da melhor forma de aproveitar o tempo de que disponho!
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Libertas inaestimabilis res est
Se,
um dia, às minhas palavras lhe impuserem deixar de ser sugestão.
Se, no futuro, colocarem-nas contra a parede da razão. Afirmo de
antemão: Deixarei que a pena descanse em paz, pois que outra
serventia teria para mim se cerceassem a condição de
toda coisa existente ser criada e deixá-la
no entre-claros dos meus anseios?
Não
se trata da apologia do insondável e muito menos a valorização do
mistério implacável. O pleito reside na necessidade vital de manter
a possibilidade dos diversos diálogos entre mim e todos os demais.
Não há uma, nem duas. Quero-as todas as chances de recriação.
Imagine,
atarefado companheiro, se me obrigassem a dizer no viés da
compreensão alheia tudo o que em mim salteia? Criar-se-iam dilemas
retumbantes entre o que penso ser para o outro a visão e o que
entendo eu de mundo. Olha o frejo formado!
Em
poucas e sorrateiras palavras, digo não aos que exigem de mim
clareza, pois resta a questão: Claro para quem, meu irmão?
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Complexamente simples
Quando a felicidade lhe surpreender
sem que você entenda os motivos, não busque as causas para não
afugentar a espontaneidade e a liberdade de “ser por ser”. Quando
a dor ou a tristeza lhe visitarem sem aparente explicação, não
tente entendê-las e não especule sobre nada para que elas se
esvaiam e desapareçam da mesma forma como vieram ou surgiram. Quando
o tempo lhe sufocar, não se cobre cumpri-lo mais do que é
humanamente possível ser feito, porque é entre as paredes do limite
do tempo que é feita a vida. Quando o vazio das ações parecer
preencher o seu dia, não coloque no suposto espaço oco o que quer
que seja, pois mais a frente você poderá notar que aquele lugar
estava sendo reservado para algo mais importante.
Em suma, não são as elucubrações
que resolvem nossos incômodos, até porque muitos deles são
sensações desconhecidas que nos colocam na exigência das
explicações.
E quem foi que disse que para tudo
devemos ter lógica, causas ou consequências visíveis? Viver é
tarefa tão simples que se torna complexo demais aceitar.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Hoje
Você
talvez não saiba exatamente o que é Kali
Yuga. Pode até desconhecer quantos
anos cabem nessa contagem de tempo que mede as Eras do calendário
hindu. Mas, certamente você reconhece os tempos difíceis e
complicados que estamos vivendo. De quantas pessoas você já ouviu a
frase “Nossa! Este ano a coisa 'tá' braba!”?
Mas saiba que isto não é uma exclusividade sua e nem o único
acontecimento na humanidade. Conseguiríamos imaginar um homem do
medievo tecendo outro comentário que não fosse esse? E quando
estouraram as Guerras? A afirmativa foi outra?
Em poucas palavras, a dificuldade de viver está no simples fato de
estar vivendo. Pode parecer uma assertiva tola, mas absolutamente
verdadeira.
Tal reflexão não tira o entendimento de que este ano 'tá' brabo
mesmo!
Anunciado há algum tempo por diversas religiões e “revelações”
extrassensoriais, o mundo passa por grave crise de caráter que
esbarra em questões sociais mais amplas. Aquilo que nossos irmãos
orientais chamam de “karma coletivo” e que vimos representar
metafórica ou simbolicamente nas cenas do dilúvio, em Sodoma e
Gomorra, na Batalha dos Pandavas, e tantas outras histórias contadas
de geração em geração.
O fato é que a tensão está no ar. Somos desfiados constantemente e
exigem de nós (quem exige?) um jogo de cintura que se renova todas
as vezes em que resolvemos alguma pendência. Quando o ar que
exalamos de “Ufa, venci” acaba, parece que imediatamente a
respiração seguinte simboliza “caraca, de novo, lá vou eu!!!!!!”
Nossa!!!! Quantas cabeças estão balançando agora concordando com
meus cometários! Pelo menos não estou tão estratosférico assim
nos meus devaneios. Estou?
A pergunta que se segue à concordância das observações deve estar
sendo: “E aí? O que fazer?” Desculpem a “tortez” da
resposta, mas é um simples viver. E durmamos sem um barulho desses!
Assinar:
Postagens (Atom)
