Mostrando postagens com marcador presente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador presente. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tempo, senhor do tempo?


Numa “conversa de bêbados” (absolutamente sóbrios) da qual participava, escutei uma frase nada original, mas magistral: - Maior do que o poder do sol, só o tempo. Lembrei-me de todas as instâncias em que o “magnânimo” senhor me espremeu e me fez atestar realmente o seu controle e a sua predominância sobre a vida. Não só porque a ele atribuem a cura de todos os males, como também, outorgam-lhe a gerência dos esquecimentos. Quem, dentre os mortais, nunca ouviu dizer que “com o tempo tudo passa”. Cabe-nos as inquietações: A quem é confiada a tarefa de fazer passar? Seria o Tempo o articulador dos mecanismos ou repousa sobre nossos ombros a capacidade de nos engendramos em tantos outros acontecimentos que rejeitamos as dores do passado e terminamos por esquecê-lo?
Fez fama o Tempo e ele, poucas vezes, deu crédito aos participantes do processo, ou seja, cada um de nós. Não o culpo, pois diante de nossas faces ele sempre expôs o rosto pronto às críticas. Quem não o esbofeteou, não o fez por não querer (ou por não saber, tanto faz!). Mas aqui sempre esteve e estará.
Não vou adonar-me da responsabilidade de dar a conhecer aos homens o quanto podemos também ser coautores do controle das nossas emoções e de nossos olvidos. Porém, faço questão de ser uma voz que se une aos tantos que resvalam na suspeita de que também podemos estar no leme de nosso viver. Ó objeto translúcido do mais fino cristal, ampulheta que és, dou-te até a prerrogativa, no movimento do teu escoar, de seres invocado como Senhor do Tempo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Trigêmeos

Havia chegado a hora. Um corre-corre, diríamos “normal” em momentos como aquele, tantas vezes vivido. Entravam, na sala de parto, os envolvidos. O que não poderiam supor é que, antes mesmo de começarem os procedimentos, quando todos se deram conta da situação, o primeiro já tinha nascido. “Foi muito rápido”, diziam. “Quando percebemos já tinha acontecido”, retrucavam outros. A verdade é que nasceu!
Mas não acaba aí a história! Há mais por vir. A respiração ritmada impõe o tom dos trabalhos. Lá vem mais um... todos preparados. Dentro dos conformes, a sucessão dos fatos flui na tranquilidade do esperado. É possível ter certeza do que se faz ali e, permitindo-se aproveitar cada segundo daquele milagre, o segundo surge. Limpam-no, colocando-o ao lado da mãe para eternizar o instante na foto com flash.
Sabia-se, de antemão, que o serviço não acabara. Todos na expectativa e nada... Esperavam, esperavam, esperavam... A angústia assaltava a uns, o temor se interpunha entre outros. Uns poucos (mas poucos mesmo) usavam da paciência. Sussurros para cá, movimentos para lá. Olhos atentos para ver a decisão dos responsáveis. Um encontro de afoitos, nervosos, tensos, desatentos, despreocupados. Uma sucessão de pessoas no ambiente a aguardar que viesse o último “rebento”. Quando não tinha mais jeito, eis que surge.
Agora, a mãe, a senhora Vida, vai bem. E coube ao pai, o senhor Tempo, a incumbência de registrar os filhos. O primeiro chamou-se Passado, Presente o segundo e ao terceiro deu-lhe o nome de Futuro.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Bandeiriana: a vida que podia ter sido e não foi

Por incrível que pareça, o passado também se idealiza. Não o mudamos e nem limpamos as dores, principalmente aquelas que cortaram a carne. Não. O passado não é dissolvido no ar como poeira. Podemos fazer força para esquecê-lo (e as vezes somos tomados de uma amnésia sugestiva e intencional), mas o passado não se apaga. O passado por definição é: A inoperante chance do “poderia ter sido” (mas não foi!). Entretanto, ainda há aqueles que alimentam um passado tão vazio de significado somente pelo fato de não quererem sofrer o presente. Há os que criam um cenário tão longe da realidade, que chegam a crer, inocentemente, que viveram o que nem de perto se constituía como real. Chamam à memória uma sensação que, analisada de forma isenta, ver-se-ia como improvável. Mentem? Claro que não! Enganam-se? Talvez. Não por maldade ou mau-caratismo, mas querendo se defender do insondável futuro. Alguns, embora possam ter sofrido, naquele então, ofensas ou desprezo insistem em manter a soberba do ofensor e escutam, hoje, esse “algoz” com um ligeiro sorriso nos lábios, pois afinal de contas, “vivi aquele tempo” (que na verdade nem existiu!).
“Ó tolos arraigados, não vos maltrateis trazendo à tona o que não move mais os moinhos! Não vos recuseis a olhar os sulcos com perspectivas verdadeiras. E jamais temais enterrar os vossos passado.”
Dizendo não à violência que um passado criado pode trazer, certamente ele não deixará de ter acontecido, mas, obviamente, dará ao homem a única oportunidade de ser feliz: o presente. Não insistas em relembrar o que não foi tomado por ti. Aquilo tudo nada mais é, no agora, a miragem, absurdamente miragem, da sombra de um ontem. Não valerá à pena!