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terça-feira, 19 de julho de 2011

Pecados e inocência

Sabe quando você se arrepende de algo que depositou na conta da inocência achando que era, no mínimo, inofensivo, mas que se transforma em rota de colisão e quando se dá por si, já entornou o caldo? Pois então. O que fazer? Justificar os atos que você continua achando que são ínfimos e que não iriam dar movimento algum em nenhuma parte da sua vida? Ou reconhecer que houve, apesar da visão sem maldade, um erro da sua parte?
Na atual conjuntura, em mim não resta a menor dúvida: devo dizer que errei não tomando como referência atos que não cometi, mas errei por me esquecer de que vivendo e convivendo somos parte de um conjunto.
Razão pela qual abri mão de lhes escrever hoje outro texto, motivado por uma observação corriqueira, para dar destaque às reflexões dos erros que cometemos mesmo sem querer.
Fui solapado pela minha inocência e insegurança e acabei resvalando na tolice. Na tolice do não dito, na mal focada luz do apagado no tempo, na sombra das minhas frustrações. Permito-me, agora, extravasar essa agonia, não para justificar os dois adjetivos postados (inocência e insegurança), mas para meditar, através do ofício do discurso revelado, sobre as besteiras que fazemos sem necessidade. Réu confesso não de transgressões, mas de omissões, entendo que ao abrir uma lacuna de silêncio podemos criar “monstros” inexistentes. E a pergunta que permanece é “quem os aniquilará?”
Desculpo-me publicamente pela minha insensatez que pode matar tanto quanto a estupidez. Ambas, não só pela rima, mas pelas consequências, são candidatas a agravar belos espetáculos de vida. E para não correr este risco, lanço-me na tarefa de dizer “que besteira eu fiz (ainda que não a julgando como tal) e que quase pôs a ruir o valor do que vivo. Por onde anda a lucidez (mais uma rima pobre) da segurança e da certeza da verdade que em nós habita? Salvem-me, ó palavras que engendro na mente e pulverizo no som da voz. Salvem-me de minhas escorregadelas a fim de que eu seja absolvido a partir de mim mesmo, sem martírios e sem pecados.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

As 7 Qualidades Capitais

Uma pergunta tem me sondado os dias: Por que devo sustentar minha vida através dos limites do inescrupuloso? Não consigo entender como fazer o caminho a partir do medo! O que leva os homens à imposição do temor para garantirem a supremacia de suas instâncias? Será insegurança ou vergonha a instauração dos limites. “Não ande por ali”, “Não pise acolá”, “Tomar este rumo lhe condenará a alma” e tantas outras frases de efeito que, por repetição, afastam-se da reflexão. Ninguém pode comprometer a eternidade tão somente por aprender a entender as limitações. Não se vence a batalha sem se conhecer os inimigos. Homem algum pode enfrentar o mostro se na peleja já entrar derrotado. Alguém pode me dizer, baseado em razões plausíveis, por que devo pautar a vida pelo não-erro ao invés de vasculhar em mim mesmo o conforto do acerto? Certa vez, fui inquirido sobre meus pecados. Retumbante palavra, ferina e maltrapilha ecoou na alma, travou as explicações querendo que eu me desfizesse de mim mesmo. Mas se só se conhece a noite porque há o dia para se contrapor, como entender minhas virtudes (se as tenho!) sem compreender o que me tolhe? Não proponho a anarquia dos sentimentos, mas vale à pena aferir alguns quesitos dentro dos torpes comportamentos humanos. Façamos, antes pois, um estudo de cada uma das imposições dogmáticas dos pecados (e que me convençam deles) para que só então, venham os doutos do cerceamento alheio me dizer que não vivi!